Massilia spp.

Massilia spp. são bactérias aeróbias, não fermentadoras, gram-negativas, em forma cilíndrica, pertencentes à família Oxalobacteraceae [1]. O género inclui mais de 20 espécies [2].

A Massilia timonae, que foi isolada pela primeira vez em 1998 a partir do sangue de um paciente imunocomprometido, é a mais relevante do ponto de vista clínico [2]. Em 2008, a espécie M. varians foi encontrada num isolado clínico e, em 2012, a espécie M. oculi foi também classificada como patogénica para os seres humanos [2][3].

Poucas infeções com bactérias Massilia foram descritas na literatura. A maioria das infeções é causada por Massilia timonae e ocorre como coinfeções ou em pacientes imunossuprimidos. Também foram documentados casos raros de pacientes sem doenças subjacentes. Esses poucos casos descritos revelam um vasto espectro de doenças [4][5][6].

  • Sépsis

  • Otite média

  • Inflamação da medula óssea

  • Infeção do interior do olho

As Massilia spp. são bactérias ambientais que se encontram, principalmente, no solo, na água, no ar e nas plantas. Algumas espécies foram também isoladas de amostras humanas (sangue, líquido cefalorraquidiano) [3][7].

Relevância do agente patogénico na transmissão em endoscopia

  • Gastrenterologia: reduzida

  • Pneumologia: reduzida

  • Otorrinolaringologia: reduzida

  • Urologia: reduzida

Relevância para a vigilância de endoscópios

  • Organismo que suscita elevada preocupação

Via de transmissão

A transmissão pode ocorrer por contacto direto ou indireto [2]. Foram também encontradas Massilia spp. durante inspeções higieno-microbiológicas de duodenoscópios [8].

Resistência a antibióticos

Em estudos sobre isolados do solo nas imediações de explorações de aves de capoeira e de gado, a Massilia spp. foi identificada como sendo portadora de genes de resistência a sulfonamidas [9].

Fontes e leituras adicionais

  1. Reimer CL et al. BacDive in 2022: the knowledge base for standardized bacterial and archaeal data. Nucleic Acids Research; database issue 2022. https://bacdive.dsmz.de. (consultado em 27.03.2023).

  2. Cho J. Massilia varians Isolated from a Clinical Specimen Jooyoung. Infect Chemother. 2017, 49 (3):219-222.

  3. Lindquist D et al. Characteristics of Massilia timonae and Massilia timonae-Like Isolates from Human Patients, with an Emended Description of the Species. Journal of Clinical Microbiology. 2003, 41 (1): 192–196.

  4. Kämpfer P, Lodders N, Martin K, Falsen E. Massilia oculi sp. nov., isolated from a human clinical specimen. Int J Syst Evol Microbiol. 2012, 62 (2):364-369.

  5. Van Craenenbroeck AH, Camps K, Zachée P, Wu KL. Massilia timonae infection presenting as generalized lymphadenopathy in a man returning to Belgium from Nigeria. J Clin Microbiol. 2011, 49 (7):2763-5.

  6. Park MK, Shin HB. Massilia sp. isolated from otitis media. Int J Pediatr Otorhinolaryngol. 2013, 77 (2):303-5.

  7. Ofek M, Hadar Y, Minz D. Ecology of root colonizing Massilia (Oxalobacteraceae). PLoS One. 2012, 7 (7): e40117.

  8. Naoaki O et al.: A prospective, multicenter, clinical study of duodenoscope contamination after reprocessing. Infect Control Hosp Epidemiol. 2022 Dec; 43 (12): 1901–1909.

  9. Wang N et al. Sulfonamide-resistant bacteria and their resistance genes in soils fertilized with manures from Jiangsu Province, Southeastern China. PLoS One. 2014, 18 (9): e112626.